Capítulo 1: Renascida, mas sem memória

A Herdeira Leitora de Mentes Retorna Renascida e se Torna o Elixir Espiritual do CEO Dominador Uva é uva, ah 2941 palavras 2026-07-31 04:53:24

Noite profunda, a luz da lua envolta em névoa.
No corredor escuro, uma jovem corre descalça, tropeçando em sua fuga desesperada.
Vestindo um pijama, com os cabelos em desalinho, seus dedos finos apertam com força a gola rasgada da roupa, enquanto seus olhos amendoados transbordam de medo.
Na obscuridade, a visão é turva; apenas sombras indistintas se revelam à sua frente, guiando-a pelo instinto enquanto avança apressada pelo corredor.
O peito arfa com intensidade, mas ela mantém a mão sobre a boca, sufocando qualquer som.
Mesmo sem saber para onde vai, controla o peso dos passos, tentando não fazer barulho.
A cada instante, lança olhares apreensivos para trás, como se algo escuro estivesse em seu encalço, emergindo da noite.
Por fim, tateando, chega ao fim do corredor e, à luz tênue da lua que invade pela janela, distingue a escada sinuosa à sua frente.
Seus passos hesitam por um momento, mas logo corre em direção ao topo da escada.
Quando sua mão está prestes a tocar o corrimão de mogno, alguém a empurra violentamente pelas costas.
Surpreendida, seu corpo frágil despenca, caindo com força desde o topo da escada.
— Ah!
O grito, impregnado de terror e desespero, rasga o silêncio da noite.
E desperta abruptamente Lu Xiyue de seu sono profundo.

...

Manhã. Hospital Huachen, quarto de enfermaria.

Lu Xiyue, recém-despertada, franze o cenho e massageia a testa confusa.
Desde que foi internada na madrugada de ontem, já sonhou com essa cena três vezes.
Apesar da sensação de distância, como se estivesse envolta em véu, com tudo diante dos olhos mas sem nitidez, Lu Xiyue sabe que a jovem desesperada que foge no sonho é ela mesma.
Na noite passada, foi empurrada escada abaixo na mansão da família Lu e morreu.
Por um acaso do destino, renasceu.
Talvez pelo medo intenso antes da morte, ou pela sensação de injustiça, desde que acordou revive incessantemente o momento em que foi assassinada.
O terror, o desespero e a dor lancinante ao cair da escada são tão vívidos que, a cada sonho, parece vivê-los novamente.

— Senhorita Lu, acordou!
A porta do quarto foi suavemente batida e uma enfermeira entrou, vestindo uniforme e máscara.
A jovem enfermeira era pequena, com olhos negros brilhantes e uma inocência típica da juventude.
Ela se aproximou, examinando o soro de Lu Xiyue.
— Senhorita Lu, como está se sentindo? Há algo incomodando?
— Ainda estou um pouco tonta — respondeu Lu Xiyue, sorrindo levemente, agradada pela enfermeira atenciosa que cuidava dela.
— Sim, o doutor Xu disse que, ao cair da escada, provavelmente bateu a cabeça. Embora não haja danos visíveis, algum desconforto ocasional é normal, não precisa se preocupar.

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...

A voz da enfermeira tinha uma doçura especial das jovens mulheres, e seus olhos se curvavam ao sorrir para Lu Xiyue.
— Senhorita Lu, você teve muita sorte!
— Caiu de uma escada tão alta e não sofreu ferimentos graves; certamente foi protegida pela deusa da fortuna!
— O doutor Xu acabou de dizer que seus resultados de exames estão normais, hoje mesmo poderá receber alta!
Ela estava há pouco tempo no hospital, mas ouviu que Lu Xiyue, desde pequena, era frágil e frequente na clínica.
Desta vez, ao cair da escada, ninguém acreditou que escaparia ilesa; todos os médicos da emergência ficaram incrédulos ao ver seus resultados — realmente um caso de sorte.

— Não posso dizer que não tive nenhum dano... — murmurou Lu Xiyue, com os olhos baixos, ocultando o frio que surgia em seu olhar.
Na verdade, ela morreu.
O que foi afetado era sua vida inteira.

— Senhorita Lu, não se entristeça — a enfermeira, sensível, interpretou mal sua expressão e apressou-se em confortá-la. — O doutor Xu disse que não há lesões ou hemorragias cerebrais, acredita que a amnésia é temporária. Logo, vai recuperar a memória!
— Obrigada.
Lu Xiyue não quis explicar mais; sorriu de leve para a enfermeira.

Após renascer, perdeu a memória; ao acordar, sua mente estava vazia, sem recordações.
Até mesmo sua identidade como herdeira do Grupo Lu e o motivo de estar hospitalizada, soube apenas pela enfermeira.
Mas não é correto dizer que não lembra de nada.
Ela se recorda de ter sido empurrada escada abaixo e morrido.

— Senhorita Lu, deve estar com sede. Vou buscar água para a senhora.
Vendo o copo vazio no gabinete, a enfermeira, afetuosa, cuidou dela.
— Tenha cuidado, está um pouco quente.
— Obrigada.
Lu Xiyue aceitou o copo das mãos da enfermeira e agradeceu sinceramente.
Desde que acordou, esteve sozinha; graças à enfermeira solícita que cuidou dela, sentia-se profundamente grata.
— Não precisa agradecer, descanse bem. Se precisar de algo, chame-me.
A enfermeira sorriu docemente antes de sair do quarto.
Quando a porta se fechou, o sorriso sumiu de seu rosto e ela suspirou.
Lu Xiyue era realmente digna de pena.

O Grupo Lu era uma das empresas mais conhecidas de Haiyue, cheio de riquezas; como filha primogênita, deveria viver com conforto e sem preocupações.
Segundo rumores no hospital, Lu Xiyue era gentil, mas tinha pouca sorte e, por isso, vivia doente ou sofrendo acidentes. Passava a maior parte do tempo em casa, raramente saía, e este ano até interrompeu os estudos.
Há pouco mais de meio ano, sua mãe enlouqueceu repentinamente e foi internada; em seguida, seu pai casou-se com uma nova esposa.
Mesmo com madrasta, não deveria ser maltratada, mas na noite do acidente ninguém foi ao hospital acompanhá-la, demonstrando o quanto era desprezada na família Lu.
Frágil, agora com amnésia, temia-se que...
Os dias seguintes seriam ainda mais difíceis.
Ser filha de família rica parece brilhante, mas não é fácil.

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Lu Xiyue precisa recuperar logo a memória.
A enfermeira, cheia de compaixão por Lu Xiyue, suspirou e saiu, com o rosto triste.

Dentro do quarto, Lu Xiyue segurava o copo morno, mas em seus olhos só havia frieza.
Mesmo sem lembrar de nada ao acordar, a enfermeira não disse muito; mas ela já descobrira, por si mesma, sua origem.
Na verdade, nem era necessário se esforçar.
Só pelo fato de ter sido empurrada escada abaixo durante a madrugada, sem que ninguém da família Lu aparecesse até agora, era fácil deduzir sua posição e valor dentro de casa.
Desprezada, insignificante, dispensável.
Ou, talvez, um espinho nos olhos e carne dos Lu.
Por isso, queriam livrar-se dela o quanto antes.
E, de fato, ela cumpriu o desejo deles, morrendo na noite anterior.
Não fosse por um destino misterioso, que a fez renascer, a família Lu teria finalmente conseguido o que queria; provavelmente celebrariam com brindes.

Lu Xiyue acariciou o rosário de madeira de agar no pulso e sorriu friamente.
Mas ela havia renascido.
Se a amnésia era o preço, saber como foi assassinada era um presente especial do céu.
E os presentes que recebeu iam além disso.
Comparado ao que ganhou, o preço era insignificante.

Frieza e indiferença: os Lu, que a maltrataram e a mataram.
Ela renasceu — era sua sorte, mas seria o azar deles.
Se o destino lhe deu uma segunda chance, tudo o que suportou e perdeu deverá ser rigorosamente acertado.

...

— Mãe, como pode aquela desgraçada ter tanta sorte? A escada era tão alta, mas ela não morreu.
— Quem sabe? Sempre com cara de quem vai morrer cedo, mas desta vez escapou.
— Um verdadeiro azar! Noite adentro, ao invés de dormir, sai correndo e cai, trazendo preocupação para toda a família!
— E o pai ainda fez questão de organizar um baile de aniversário de dezoito anos para ela! Que coisa mais irritante!

Lu Xiyue, que acabara de adormecer após o soro, foi despertada pelo barulho e franziu levemente o cenho.

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