Capítulo 2: A Família Bai

Encontrei uma Bebê Fofa de Três Anos, a Estrela da Sorte Ilumina Toda a Família A lua lava a árvore parasol. 2600 palavras 2026-07-31 04:49:36

— Pai, vou fazer um xixi aqui, com certeza isso vai quebrar esse feitiço de desorientação. — Um menino, sem dar ouvidos a mais nada, caminhou até a grama ao lado e começou a urinar.

— Valha-me Deus! Tem um rato enorme, preto e brilhante, agachado aqui no meio do mato! — De repente, o menino apertou o cinto das calças e gritou, entusiasmado.

— O quê? O quê? Pega logo! Vamos assar para comer — sussurrou o outro menino.

Uma criança de cinco ou seis anos saltou sobre o local e, ao agarrar o bicho, estranhou: sentiu algo diferente. Ele afastou a vegetação e ficou paralisado de susto: — Pai! É uma criança!

O casal que empurrava o carrinho parou ao ouvir o chamado e foi verificar. Pareciam camponeses, na casa dos trinta anos; embora suas roupas estivessem esfarrapadas, estavam limpas e bem cuidadas. A mulher, com um lenço azul cobrindo a cabeça, rosto fino e olhos redondos — um tanto magra, com as bochechas encovadas —, limpou as mãos nas roupas e pegou a criança no colo.

— Homem, é mesmo uma criança. Como é que a gente deu tantas voltas por aqui e não viu nada? Ela ainda está viva, está dormindo. É uma menininha linda — disse a mulher, com a voz carregada de compaixão e surpresa. Sua intuição dizia que aquela pequena traria uma mudança para a sorte da família.

— Coitadinha, de quem será essa criança que foi deixada aqui? Olhe só essas roupas, parece uma menina de família rica — comentou o homem, observando a menina atentamente, encantando-se cada vez mais. Como a filha de alguém importante teria ido parar ali?

— O que faremos? Se a deixarmos aqui, com este frio da noite, ela vai acabar morrendo congelada — disse a mulher, abraçando a menina com ternura.

— Não podemos deixá-la. Ou morre de frio ou algum bicho selvagem a leva. Vamos levá-la conosco; se o destino fez com que a encontrássemos, é porque há uma ligação — decidiu o homem.

— Mas, se mal conseguimos sobreviver nós mesmos…

— Não tem problema — insistiu o marido, incapaz de abandonar a menina. A família já estava no seu limite, o que mais poderia acontecer?

— Já está muito tarde, vamos dormir um pouco por aqui mesmo — sugeriu ele.

Os três meninos, usando sandálias de palha e cobertos de remendos, aproximaram-se, olhando com curiosidade para a pequena no carrinho. Aquela família consistia no casal Bai Jianzhang e Luo Huilan, casados há mais de uma década, pais de três filhos: o primogênito, Bai Daniu, de doze anos, honesto e simples; o segundo, Bai Ergou, de nove anos, falante e vivaz; e o caçula, Bai Sanyang, de cinco anos, obediente e doce.

Originalmente, a família vivia na Vila Bai, que ficava à beira de um rio. Nos últimos anos, inundações constantes destruíram as plantações, causando escassez de comida e vestuário, o que forçou os moradores a partirem. Por onde passavam, as pessoas diziam que a Vila Bai devia ter irritado o Deus do Rio, atraindo maldições, e recusavam-se a deixá-los assentar por medo de que trouxessem azar. A família seguiu viagem, mas acabou perdida naquela floresta por três dias.

Se continuassem assim, toda a família morreria ali. Bai Jianzhang descansou um pouco e disse à esposa: — Prepare a menina, troque a roupa dela; se alguém vir essas vestes, vai desconfiar.

Luo Huilan concordou. Pegou uma das roupas que servira ao caçula, Sanyang, e, com delicadeza, trocou as sedas que vestiam a menina, guardando-as com cuidado. — Guarde bem, não pode perder. No futuro, ela precisará disso para encontrar seus pais biológicos — recomendou Bai Jianzhang.

— Eu sei — respondeu ela. Ao vestir a menina, notou um pingente de jade redondo em seu pescoço. Ela o pegou para examinar e viu algumas inscrições. — Homem, venha ver. Que caracteres são estes?

Embora não fosse letrado, Bai Jianzhang reconhecia algumas letras e identificou os caracteres principais: "Yuntuan". No verso, havia linhas menores que pareciam rabiscos incompreensíveis. — Deve ser o nome dela, Yuntuan. É um amuleto, coloque-o nela e esconda sob a roupa — disse ele.

— Yuntuan, Tantuan... é um nome tão bonito. E a menina parece uma nuvem, branca e macia — murmurou Luo Huilan, guardando o pingente sem notar que ele brilhava levemente.

Ao lado, o pequeno Sanyang exclamou surpreso: — Mãe! Por que aquela pedra está brilhando?

Sob a penumbra da noite, o menino viu o pingente irradiar luz, piscando com cores vibrantes, como se fossem estrelas no céu. Luo Huilan deu um leve toque na cabeça do filho: — Está vendo coisas por causa da fome?

Sanyang coçou a cabeça. Ele tinha visto claramente o brilho. Será que se enganara?

Ergou, encantado com a menina que dormia, sorriu: — Pai, mãe, vamos criar esta irmãzinha? Ela é adorável. É muito melhor que aquele meu irmão fedorento.

Luo Huilan sorriu. Lá no fundo, ela também desejava ter uma filha, mas o destino lhe dera três meninos, e ela não ousava ter mais por medo de não conseguir sustentá-los. — Enquanto não encontrarmos os pais dela, ela será criada conosco — disse ela.

Os três filhos olharam para o pai e, ao verem o aceno de concordância de Bai Jianzhang, saltaram de alegria: — Temos uma irmãzinha!

— Falem baixo, vão acordar a irmã! — repreendeu a mãe, e os meninos logo silenciaram.

Naquele momento, a família não fazia ideia de que aquela criança mudaria o destino de todos. Luo Huilan preparou um ninho confortável no carrinho com um cobertor velho e acomodou Yuntuan, enquanto os demais se encostaram no carrinho para cochilar.

Envolta no cobertor, Yuntuan dormia docemente. Em seu sonho, via uma flor de lótus imensa como um arranha-céu, cujas pétalas irradiavam luzes coloridas e se abriam para protegê-la.

— Lianlian, você cresceu tanto! — Yuntuan batia palmas, entusiasmada no sonho.

***

Bai Jianzhang, em seu sono, sentiu uma luz dourada inundar sua visão. Ao abrir os olhos, viu um velho de barbas brancas e semblante benevolente, sorrindo e envolto em uma aura suave. Embora fosse um idoso aparecendo do nada na escuridão da noite, Bai Jianzhang não sentiu medo. Era claramente um imortal. O velho não disse nada; apenas virou-se e caminhou em uma direção, fazendo um gesto para que ele o seguisse.

Bai Jianzhang despertou subitamente, percebendo que fora um sonho. Ele se recompôs e percebeu que o velho seguia exatamente naquela direção. Imediatamente, acordou a família e começou a empurrar o carrinho, que rangia enquanto avançava. Yuntuan, em seu sonho, balançava suavemente, como se estivesse em um berço, dormindo profundamente.

Com o vento da noite, as nuvens se dissiparam e a lua cheia iluminou o caminho que se estendia à frente. Ao amanhecer, a família saiu da floresta e chegou diante de uma vila.

— Saímos! Finalmente saímos! — os três meninos comemoravam.

Luo Huilan, contendo sua própria euforia, perguntou: — Homem, será que nos deixarão morar nesta vila? Se caminharmos mais, a comida acabará e as crianças não aguentarão — disse, massageando os braços doloridos.

— Com certeza nos deixarão — disse Bai Jianzhang, confiante, lembrando-se do velho do sonho.

No entanto…

— Fora daqui! Nossa Vila Gourd não aceita forasteiros! — um homem corpulento gritou na entrada da vila, expulsando-os.

Bai Jianzhang: …

"Velho de barba branca, como pôde me enganar assim?"