Capítulo 19: Onde está o seu cartão de visita?
De volta ao Lago Longo Azul.
Shen Jin ainda conseguia andar sozinha, então a irmã Hua só precisava evitar que ela batesse a cabeça nos degraus.
Mas para prevenir qualquer coisa indevida que Yun Xiaoran pudesse fazer com Shen Jin, a irmã Hua decidiu acompanhá-la durante toda a noite.
Yun Xiaoran estava tranquilo. Por causa de uma afta na boca, ele mal comeu o prato de lagostins apimentados com alho, então resolveu descascar tudo para fazer um macarrão com lagostins.
Shen Jin abriu a porta e ficou ali, atônita, observando Yun Xiaoran, que vestia um avental e trabalhava na cozinha.
— Você voltou. Espere o macarrão com lagostins, já já eu sirvo — disse Yun Xiaoran com um leve sorriso, sabendo que, embriagada, qualquer coisa poderia acontecer com ela.
— Não, sente no sofá primeiro — disse Shen Jin, como se ao ver o rosto delicado e bonito de Yun Xiaoran algo tivesse passado pela sua mente.
O rosto antes adorável mudou para uma expressão fria, mas quando apontou para o sofá com a mão esquerda, parecia estar fazendo uma manha.
— O que foi? — Yun Xiaoran estranhou, mas começou a tirar o avental e olhou desconfiado para a irmã Hua.
— Não sabemos o que aconteceu com ela, mas assim que Jin’er chegou ela ficou assim. Melhor seguir o que ela manda — a irmã Hua resmungou, sem entender o que aquela garota estava pensando.
Sem alternativa, Yun Xiaoran se sentou no sofá, encarando os olhos brilhantes e intensos de Shen Jin, que pareciam cheios de raiva ou talvez ciúmes.
Yun Xiaoran não conseguiu decifrar aquele olhar, então ficou ali, tímido.
— Assim sim, meu bom marido — elogiou a Shen Jin, ainda bêbada.
— Que diabos é isso? — Yun Xiaoran olhou para a irmã Hua, fazendo uma careta, pedindo ajuda silenciosa.
Enquanto isso, Shen Jin se aproximava devagar, não muito elegante, mas ainda controlava suas expressões.
Yun Xiaoran finalmente pôde observar seu rosto embriagado.
O rosto oval perfeito, com cabelos levemente despenteados, tinha uma beleza desordenada; as orelhas macias e rosadas brilhavam, os olhos sedutores, realçados pelos cílios, pareciam quase derreter, enquanto ela mordia os lábios com os dentes.
— Cadê... seu bolso? — perguntou Yun Xiaoran, admirando o rosto dela, quando Shen Jin falou:
— O quê? — Yun Xiaoran não entendeu bem, mas o tom parecia uma desculpa esfarrapada, e Shen Jin repetiu alto:
— O bolso? O bolso!
Shen Jin, que era quase meio metro mais alta que Yun Xiaoran, ficou em pé, olhando para ele sentado, com uma atitude impaciente, e começou a vasculhar os bolsos dele:
— Ainda vai negar?
— Jin’er, não fique assim, o que você quer fazer? — a irmã Hua, curiosa, sentou-se no sofá em frente, e começou a gravar a cena no celular, pensando em mostrar para ela amanhã.
Shen Jin, que praticava yoga para manter a forma e até aprendeu artes marciais femininas para defesa pessoal, tinha um corpo esguio e elegante.
Yun Xiaoran, naturalmente mais baixo, estava sendo dominado pela garota que o revistava com rapidez e destreza.
— O que essa menina quer? — Yun Xiaoran, assustado, tentou impedir Shen Jin, segurando seus bolsos.
Ele não ia ceder hoje.
Shen Jin vasculhou os bolsos do casaco dele e, não encontrando nada, passou para os bolsos da calça.
Ela era ágil, toda vez que Yun Xiaoran tentava proteger um bolso, ela rapidamente metia a mão lá dentro.
— Para, para... o que você quer? Eu vou pegar para você, para com isso... — Yun Xiaoran começou a perder a paciência, indignado, afinal era um homem com necessidades normais, não entendia como ela podia fazer isso.
— Tudo bem, então você pega para mim — disse Shen Jin, desapontada e quase chorando, mas ainda teimosa.
— Celular, fones, lenço, cartão de visita... é isso, não tem mais nada — Yun Xiaoran disse, resignado, sem entender o motivo daquela revista.
— É esse cartão! — Shen Jin agarrou o cartão com rapidez, como se fosse um brinquedo, e sentou no sofá, começando a rasgá-lo.
A irmã Hua e Yun Xiaoran trocaram um olhar, surpresos.
Aquele cartão era o mesmo que Yun Xiaoran recebeu quando eles se conheceram.
— Você está procurando outra mulher... — murmurou Shen Jin, enquanto tentava rasgar o cartão, mas o material era duro, e as unhas decoradas dificultavam, então ela começou a mordê-lo como um esquilo.
Finalmente!
Depois de morder o cartão, ela olhou para Yun Xiaoran, que estava confuso, e disse:
— Marido, estou com fome agora. Quero o macarrão que você fez e seu celular!
— Comer, claro que vai comer... — Yun Xiaoran suspirou aliviado que a crise passou, sentou-se ao lado dela para evitar que ela mexesse no celular e descobrisse algo que ele tinha apagado ou enviado.
Shen Jin pegou o celular e entrou direto no WeChat.
— Vai me vigiar? — Yun Xiaoran estranhou, afinal não tinha nada no WeChat dele, e eles nem tinham um relacionamento sério para isso.
Depois de navegar um pouco, ela ficou satisfeita, abriu a conversa com ele e mudou o apelido dele.
Yun Xiaoran não tinha dado nenhum apelido a ela, então aparecia o nome padrão do WeChat.
— Marido super incrível e maravilhoso — escreveu Shen Jin, depois avisou: — Não muda isso, se eu ver, você tá morto!
— Tá bom, tá bom — Yun Xiaoran suspirou, resignado, e foi preparar o jantar.
A irmã Hua sentou-se com Shen Jin para distraí-la e evitar que ela mordesse qualquer coisa.
— Que delícia, o macarrão feito pelo meu marido é o melhor — disse Shen Jin, comendo lagostim e macarrão, acompanhada de uma sopa para desintoxicar, já que nem tinha comido direito na festa.
— Esse é para você — Yun Xiaoran serviu uma tigela para a irmã Hua, que olhava ao redor procurando o gato Fubao.
— Pode ficar tranquila, ele já comeu e está no meu colo — disse Yun Xiaoran, acariciando o gato.
A irmã Hua comia o macarrão aos poucos, admirando a habilidade culinária dele: — Não esperava que seu macarrão fosse tão gostoso.
Shen Jin comia feliz e estava relativamente calma.
Yun Xiaoran não estava com fome, mas sentado ali sentia algo diferente, como se realmente tivesse uma família, uma esposa e um gato.
— O que foi? Está com fome também? Tenho lagostim aqui que ainda não tive coragem de comer, pode pegar, marido — disse Shen Jin, inclinando a cabeça curiosa e empurrando o prato para ele.