Capítulo 2: O Banquete Cheio de Artifícios do Bastardo

O casamento falso que combinamos, por que a diva está jogando de verdade comigo? motor elétrico 2614 palavras 2026-07-31 04:43:18

Já com a certidão de casamento em mãos, Shen Jin franziu as sobrancelhas delicadas enquanto dirigia seu Audi, apressando-se em direção à própria empresa.

Ela já era a rainha mais poderosa do mundo do entretenimento nacional, detinha os melhores recursos do ramo, havia fundado sua própria empresa, mas ainda assim continuava sendo pressionada pela mãe para se casar.

O pretendente era um doutor de 25 anos, recém-chegado do exterior, e, além disso, havia um compromisso de casamento arranjado entre as famílias. Sem alternativa, Shen Jin usou seus contatos para encontrar um homem gay e realizar um casamento de fachada.

Shen Jin já havia mandado investigar o passado do tal doutor supostamente brilhante, mas descobriu que ele era apenas um mestre meia-boca, formado numa faculdade obscura de engenharia eletrônica e informática numa região remota da França revolucionária.

Um verdadeiro canalha.

Quando Shen Jin finalmente respirou aliviada, o telefone tocou:

— O que houve, Hua? Acabei de registrar o casamento com aquele cara.

— Jin, você casou com a pessoa errada! O homem que te apresentei não chegou lá ainda. Com quem você se casou?

— Como é? — Shen Jin ficou paralisada por um instante, depois entrou em pânico: — Não pode ser! Ele mesmo disse que era casamento de fachada, eu perguntei e ele concordou, como assim...?

— O homem que te apresentei nem chegou lá. Não tenha dúvida, você casou com a pessoa errada! Qual é o nome dele?

A mente de Shen Jin ficou completamente confusa.

Como algo tão improvável quanto um casamento de fachada podia dar errado desse jeito? Incrédula, ela abriu a bolsa com uma mão, destravou o fecho e pegou o livrinho vermelho, lendo o nome do marido e, lembrando da expressão tímida dele, pronunciou sílaba por sílaba:

— Yun Xiaoran...

— Errado. Olhe a foto que te mandei, veja como ele é.

Shen Jin abriu a imagem e deu de cara com um homem de cabelo bem curto, barba cheia, sorrindo para a câmera, usando meias brancas e com um corpo um pouco roliço.

— Viu a foto? Ele é assim.

Shen Jin olhou para a foto no celular, incrédula.

Na verdade, ela só queria que um amigo lhe apresentasse um homossexual para um casamento de fachada, assim evitaria que o pretendente tentasse qualquer coisa e ainda fingiria normalidade diante dos pais.

Ela não tinha simpatia por homens — o próprio pai a abandonara para correr atrás da beleza de outra mulher.

Começou então a rememorar cada gesto e expressão de Yun Xiaoran no restaurante.

Quando Yun Xiaoran olhava para ela no restaurante, parecia ausente, gaguejava, claramente escondia algo. E foi ela quem o puxou pela mão para assinar a certidão. Depois do registro, ele ficou encarando sua foto — aquilo não era comportamento de alguém homossexual.

Shen Jin ficou furiosa, só de pensar que havia se apressado tanto para registrar o casamento com ele, acreditando que tudo estava sob controle, teve vontade de se esbofetear.

A renomada rainha do entretenimento, Shen Jin, também conhecida como Shen Mukê, sempre cultivou uma imagem de mulher forte, dedicada só à carreira, indiferente ao amor.

E agora?

Nas costas, estava registrando um casamento às escondidas com um desconhecido.

Shen Jin suava frio, temendo que algum paparazzi ou fã obsessivo tivesse flagrado tudo — sua reputação estaria destruída.

Não podia ser!

Com as mãos delicadas apertando com força o couro legítimo do volante do Audi, o rosto bonito de Shen Jin se contraiu em raiva fria.

Yun Xiaoran era claramente um fã obsessivo.

Shen Jin, já vítima do efeito Barnum, começou a repassar mentalmente cada detalhe dos trinta minutos em que esteve com Yun Xiaoran no cartório.

Ele estava sentado lá só esperando por ela, não comeu nem tomou café, apenas aguardava alguém.

Quem mais poderia ser? Era ela, sem dúvida!

Quando ela o abordou, ele gaguejava, hesitava — devia estar apagando fotos dela da câmera escondida.

Depois do registro, ficou encarando sua foto na certidão.

Certamente, até amanhã, a internet estaria inundada com vídeos ou fotos do casamento de Shen Jin.

— Jin, está me ouvindo? Devemos preparar um comunicado, um plano de crise?

Shen Jin inspirou fundo e respondeu friamente:

— Prepare, claro que sim. Não só vamos redigir um comunicado, como avisar: se esse homem ousar divulgar qualquer foto ou vídeo, vamos processá-lo por violação de privacidade.

— Tudo bem, Jin. Você só precisa comparecer ao ensaio de “Sou Cantora” e se concentrar. Deixe o resto conosco. Qualquer coisa que surja na rede, vamos derrubar imediatamente!

Hua era assistente e também grande amiga de Shen Jin.

Até ela achava tudo aquilo absurdo. Quem diria que um fã obsessivo conseguiria rastrear Shen Jin até um café?

Mas agora, Shen Jin se casou de fato com um homem, entregou-lhe o cartão do quarto e as chaves!

Meu Deus! Quando a maré está ruim, até água fria engasga.

Agora era a primeira temporada ao vivo de “Sou Cantora”, em plena fase de eliminações.

Shen Jin estava com a saúde abalada por uma gripe de outono e o humor péssimo, o que deixava sua posição no ranking extremamente frágil.

Na internet, fãs e haters se degladiavam, dizendo que Shen Mukê já não era mais a mesma, que sua voz tinha acabado.

A apresentação da tarde se aproximava e ela ainda tinha toda essa confusão para resolver.

Neste momento, Shen Jin praguejou mentalmente contra Yun Xiaoran, tomada de raiva.

Divórcio! Tinha que ser hoje à noite, não podia esperar!

...

A sorte de cada um é também uma forma de infortúnio. Quem pode garantir que o azar de alguém não seja uma bênção disfarçada?

Yun Xiaoran estava sentado em seu pequeno apartamento alugado, dedilhando o violão, atormentado pelo casamento-relâmpago com a pessoa errada.

Alto, traços marcantes, proporções perfeitas, o apartamento era limpo e organizado, todo em tons claros. Mal havia alugado e já teria que devolver o imóvel.

Na plataforma VA, chamada de “Brincadeira”, o maior portal musical amador da China neste mundo, repleto de músicos e críticos anônimos.

Ali, qualquer um podia postar canções, cantar, compor, enquanto os críticos faziam avaliações mordazes de cada hit.

Faltava dinheiro, mas sobrava paixão e busca pelo verdadeiro sentido da música. Yun Xiaoran se alegrava ao ver tanta gente investida nesse sonho.

Ele já tinha uma conta, sob o nome de “Nuvem Solitária”, mas estava inativa havia tempos, já que antes dedicava todo o seu tempo a Li Qingxi.

Agora, solteiro, Yun Xiaoran decidiu tocar e cantar uma de suas músicas favoritas da vida anterior: “Silêncio”.

A introdução da canção era longa, facilmente confundida com uma peça instrumental, mas logo na primeira frase, a melancolia de um rei dragão do mar já tomava conta — originalmente, seria dedicada a Li Qingxi, mas agora ele a cantava sozinho:

“Não resisto e me transformo num peixe teimoso, nadando contra a corrente até o fim.”

Yun Xiaoran começou a cantar.

No vídeo, só apareciam o pomo de adão subindo e descendo sob a gola da camisa branca, a parede branca ao fundo e os dedos delgados dedilhando o violão.

No silêncio do apartamento, era só ele e o instrumento.

...

Yun Xiaoran gravou a música três vezes e escolheu a que mais lhe agradou para postar na plataforma VA.

Após pensar por um tempo, resolveu brincar:

“Não está feliz hoje? Ouça essa música animada e tenha esperança no amanhã.”

Depois de publicar o vídeo, desligou o celular e aceitou o pedido de amizade de Shen Jin.

Após muito hesitar, Yun Xiaoran escreveu uma mensagem: