Capítulo 13: Somos Todos Adultos, Tudo é Consentido Entre Nós
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Jiang Yao não recusou.
É claro que sabia que, mesmo se recusasse, não adiantaria.
O homem alto estava encostado no banco. Já havia tirado o paletó, e a camisa preta, de tecido refinado, fazia com que parecesse ainda mais nobre e frio.
Ao vê-la entrar no carro, ele ergueu o pulso e lançou um olhar ao relógio. Seu rosto estava sombrio.
— Levou dez minutos para descer um andar?
— O hospital não é meu. Se quer ir embora, vá.
A voz de Lu Boyan era gélida:
— Também sabe fazer cara feia. Pelo visto, não se machucou tanto.
Enquanto falava, pegou a sacola das mãos de Jiang Yao e tirou de dentro dela a pomada para queimaduras.
— Está doendo?
Como não doeria?
A água havia acabado de ser retirada do bebedouro: estava fervendo. Desde pequena, Lin Manyue cuidara muito bem de Jiang Yao; até mesmo uma água levemente quente fazia sua pele delicada ficar vermelha e inchada, quanto mais água fervente.
— Não.
Sua voz era teimosa, fria e distante.
Lu Boyan soltou uma risada baixa, puxou-lhe o braço e arregaçou sua manga. Com movimentos delicados, espalhou a pomada sobre a queimadura, pouco a pouco.
Jiang Yao virou o rosto para a janela.
— É apenas um ferimento pequeno. Não precisa se incomodar por minha causa, segundo tio.
A mão de Lu Boyan parou. Ele ergueu as pálpebras, com uma expressão impossível de decifrar.
— Você estava abraçada ao rapaz da família Song na entrada do hospital. Acha que Huajing ainda não está falando o bastante de você e quer aumentar sua exposição?
— Está imaginando coisas.
Jiang Yao respondeu com indiferença, olhando pela janela:
— Foi apenas um acidente.
— Um acidente?
Lu Boyan segurou-lhe o queixo, obrigando-a a encará-lo.
— Jiang Yao, eu já avisei para não voltar a se envolver com alguém de sobrenome Song. Você precisa mesmo ser tão desobediente?
O corpo de Jiang Yao estava imobilizado. Ela não conseguia se mexer, e uma emoção inexplicável começou a se agitar dentro dela, fazendo seu ânimo despencar.
Estava cansada. E não apenas fisicamente.
No instante seguinte, os beijos avassaladores do homem caíram sobre ela.
— Mm...
Jiang Yao cerrou os dentes, recusando-se a abrir a boca. Lu Boyan aproveitou o impulso para aprisioná-la nos braços; seus dedos, levemente ásperos, deslizaram por sua cintura delicada, descendo aos poucos.
Com um movimento preciso, ele apertou seus dedos.
Jiang Yao estremeceu dos pés à cabeça e abriu a boca, dando-lhe exatamente a oportunidade que procurava.
Lu Boyan aproveitou-se disso. A ponta da língua forçou passagem entre seus dentes e invadiu sua boca, saqueando-a sem qualquer contenção.
— Solte... solte-me...
Jiang Yao lutou para afastá-lo, mas sua força era pequena demais. Naquele momento, seus esforços pareciam ainda mais uma recusa fingida.
Lu Boyan aprofundou o beijo.
Vendo que o homem estava prestes a perder o controle, Jiang Yao entrou em pânico.
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Não muito longe dali ficava o prédio administrativo do hospital. Naquele momento, o diretor Qin, quase careca, vinha caminhando naquela direção com seus subordinados. Se não fosse pela privacidade dos vidros do carro, ela teria suspeitado que suas faces coradas estivessem completamente à vista.
— Não!
Jiang Yao voltou bruscamente a si, segurou a mão de Lu Boyan, que passeava sem restrições por seu corpo, e o empurrou com força.
Lu Boyan franziu levemente a testa, e sua voz desagradável soou:
— Agora está com medo?
Diante daquele homem carregado de perigo, Jiang Yao sentiu surgir, sem motivo aparente, uma ponta de pavor.
Ela jamais havia implorado nada a Lu Boyan. Mas, naquele momento, desejou que o homem à sua frente simplesmente parasse.
— Segundo tio, você está prestes a ficar noivo da senhorita Qiao — Jiang Yao o lembrou outra vez.
Lu Boyan soltou uma risada de desdém.
— Sim. E daí?
— Você deveria dedicar mais tempo a ela, em vez de se preocupar com a minha vida amorosa.
Desde que perdera o controle no banquete familiar, Lin Manyue sempre lhe dava conselhos, ora direta, ora indiretamente, lembrando-a de que a família Lu seguia regras rigorosas e de que ela não deveria fazer nada que prejudicasse a reputação da casa.
Além disso, como herdeiro da família Lu, a vida de Lu Boyan havia sido planejada com antecedência. Seu casamento, sua carreira e as mulheres ao seu redor — cada passo fora escolhido com extremo cuidado, sem espaço para o menor erro.
Embora sentisse certa relutância, terminar aquela relação o quanto antes era, diante das circunstâncias, a escolha mais sensata.
Ao ver que ele permanecia em silêncio, Jiang Yao acrescentou:
— Quanto ao apartamento na Residência Zhenyue, vou me mudar o mais rápido possível.
Ela já não queria nada daquilo que um dia lhe trouxera expectativas tão bonitas.
Lu Boyan sentiu-se incomodado.
Jiang Yao parecia dócil e gentil, mas, na verdade, era teimosa como uma pequena mula e nunca se dispunha a ceder diante dele.
Ele não conseguiu evitar uma franzida de testa.
— Ficou comigo por três anos. Eu a fiz sofrer?
Jiang Yao pensou que ele estivesse sendo sarcástico, mas sua voz soava estável e calma, como se estivesse sentado à mesa de negociações de uma aquisição do grupo.
Depois de um longo silêncio, ela disse:
— Somos todos adultos. Foi algo que ambos quiseram. Não se pode dizer que eu tenha sofrido.
Afinal, aqueles três anos haviam deixado muitas lembranças bonitas.
Quando queria, Lu Boyan conseguia fazê-la feliz com uma facilidade impressionante.
Ou melhor: o segundo jovem senhor da família Lu, criado desde sempre em meio ao luxo e ao privilégio, também já havia cuidado pessoalmente de uma mulher.
Com atenção em cada detalhe e consideração impecável.
— Jiang Yao.
O rosto de Lu Boyan escureceu. Ele segurou o queixo dela e obrigou-a a erguer a cabeça mais uma vez.
— Será que eu a acostumei mal demais?
— ...
Nervosa, Jiang Yao apertou as mãos sem perceber, até as pontas dos dedos ficarem esbranquiçadas.
Os olhos de Lu Boyan se estreitaram.
No instante seguinte, ele ergueu a mão, reuniu atrás da orelha os longos cabelos desgrenhados dela e se inclinou para sussurrar algo em seu ouvido.
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As luzes fragmentadas do lado de fora do carro incidiam pouco a pouco sobre o rosto de Jiang Yao. Mesmo com o aquecimento ligado, ela se sentiu despencar instantaneamente em um abismo de gelo.
...
Jiang Yao voltou ao apartamento da Residência Zhenyue. A casa estava silenciosa.
Chinchila deu algumas voltas ao redor de seus pés e depois voltou a se deitar preguiçosamente em sua caminha.
Seu celular tocou uma vez.
Ela trocou os sapatos pelos chinelos e abriu distraidamente o WeChat. Viu uma mensagem de Zhao Xiaoyun, dizendo que já havia entrado em contato com o dono de uma pet shop e que Chinchila poderia ser levada para lá a qualquer momento, a fim de ficar hospedada.
Chinchila era uma gata de rua que Jiang Yao havia encontrado na calçada. Ela a criava havia dois anos. Agora que estava prestes a se mudar, temia que a gata sofresse com o estresse e tivesse algum problema, por isso pensara em deixá-la por algum tempo numa pet shop de confiança.
Zhao Xiaoyun parecia bastante orgulhosa de ter resolvido aquela questão, e seu tom trazia um leve ar de quem esperava elogios.
Jiang Yao respondeu:
— Da próxima vez, eu pago o jantar.
Zhao Xiaoyun:
— Combinado! Depois que resolver a questão da gata, você também não ficará mais tão inquieta.
Jiang Yao hesitou.
Na verdade, sua inquietação não tinha relação alguma com a gata.
À noite.
Jiang Yao voltou a sofrer de insônia. Virou-se de um lado para o outro, incapaz de adormecer.
Levantou-se, tomou melatonina e esperou meia hora até que o efeito começasse a aparecer. Sonolenta e confusa, lembrou-se dos acontecimentos daquele dia.
O homem que caíra por acidente. A água escaldante.
Lu Boyan, semelhante a um deus pairando nas alturas, trazia um sorriso fino e frio nos lábios. Sua voz despreocupada parecia a de um demônio enquanto a torturava sem piedade...
Em meio ao sonho caótico, as lembranças de quando perdera os pais voltaram a atacá-la.
Sufocantes e dilacerantes!
...
Grupo Lu.
Escritório do presidente.
Lu Boyan estava diante da janela panorâmica, com uma das mãos no bolso. As luzes resplandecentes da cidade refletiam-se em seus traços frios.
A três metros de distância, Yang Yong relatava respeitosamente a agenda do dia seguinte:
— Amanhã de manhã, o senhor tem um compromisso com o chefe de seção Li, da Comissão Reguladora de Bancos e Seguros. À tarde...
Ele ainda não havia terminado de falar quando Lu Boyan ergueu a mão e o interrompeu.
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