Capítulo 13

Marido Beta Dick, o cordeirinho 4825 palavras 2026-07-31 05:05:40

No mundo do entretenimento, havia inúmeros eventos, grandes e pequenos, e era comum que, ao comparecer a ocasiões públicas, as pessoas se arrumassem um pouco. Lu Sili tinha um guarda-roupa considerável. Embora as roupas masculinas não fossem tão variadas quanto as femininas, apenas o estilo dos ternos já dava trabalho suficiente para estilistas estudarem por séculos.

Lu Sili passou em mente os vários nomes de marcas que costumava usar, tentando decidir qual delas combinaria melhor com a personalidade de Su Yuan. Mas logo percebeu que havia uma questão ainda maior: qual seria exatamente o estilo de Su Yuan?

Ao notar que Lu Sili não dizia nada, Su Yuan baixou levemente a cabeça e sorriu para si mesmo, dizendo: “Embora eu não seja muito bonito…”

“Não é isso,” apressou-se a responder Lu Sili, “estou só pensando no que vestir.”

Ele não contestou o que havia dito, e o sorriso nos lábios de Su Yuan congelou por um instante, para logo depois se reerguer, mas com aquela ponta de amargura que Lu Sili conseguiu perceber claramente.

Após refletir um pouco, Lu Sili disse: “Não se preocupe, deixe a roupa comigo. Vou pedir para Fiona procurar algo.”

Su Yuan suspirou resignado. “Tudo bem, obrigado pelo esforço.”

Lu Sili não entendia por que Su Yuan suspirava, aquilo lhe parecia difícil de compreender.

“Limpe a boca,” disse Su Yuan, estendendo um papel, então recolheu os utensílios e foi para a cozinha, onde colocou os pratos na lava-louças enquanto não conseguia conter um sorriso.

— Lu Sili achou irresistível a cena de Su Yuan com o contorno branco ao redor dos lábios, coçando o queixo em pensamento.

Lu Sili conversou com a avó ao telefone e Su Yuan ouviu tudo: no dia seguinte à noite, iriam jantar juntos em casa.

Entrando em janeiro, restavam apenas quatro dias para a grande cerimônia. O tempo ficava cada vez mais frio, e desde uma leve queda de neve duas semanas atrás, não havia mais nevascas; o ar seco e frio envolvia a cidade cinzenta.

No almoço, Lu Sili jantou com o diretor Xia da Jia Qing. O outro convidado se animou para beber, e Lu Sili o acompanhou com dois copos. Não bebeu muito, mas o teor do álcool forte lhe causou certo desconforto durante o trabalho à tarde.

Por sorte, Lu Sili terminou o serviço cedo e foi com Fiona ao hospital buscar Su Yuan.

O carro estava estacionado no estacionamento do prédio da cirurgia. Fiona desceu para fumar, enquanto Lu Sili reclinou o banco do passageiro e descansou.

Desde que se casaram, Lu Sili levava Su Yuan para jantar em casa toda semana. Ele gostava disso, pois Su Yuan conversava com a avó, o que lhe dava um pouco de alívio.

Sem recorrer a medicamentos, o sono de Lu Sili era sempre curto e cheio de sonhos. Ao acordar, ainda não havia ninguém no carro; olhou o relógio e percebeu que dormira apenas oito minutos.

Endireitou o banco, levantou-se e olhou pela janela: Su Yuan e Fiona estavam ao lado da lixeira, Fiona com o cigarro na mão — provavelmente o segundo.

Eles conversavam e riam juntos.

Hoje a temperatura permanecia abaixo de zero. Su Yuan vestia um casaco preto comprido e um cachecol cinza claro enrolado duas vezes no pescoço. Não era muito elegante, mas era prático.

Lu Sili abaixou o vidro do carro, e antes que pudesse falar, ambos olharam para ele.

“Vamos,” disse Fiona.

Fiona dirigia, Su Yuan sentou-se no banco de trás.

“Desculpem por fazê-los esperar tanto,” disse Su Yuan, tirando o cachecol e o colocando de lado.

Lu Sili, ainda meio sonolento, respondeu com voz arrastada: “Não tem problema.”

Então lembrou-se do combinado feito com a avó por telefone e virou-se para Su Yuan: “Prometi à vovó que depois da cerimônia vou cuidar da minha saúde.”

“Sim, eu sei,” respondeu Su Yuan.

“Se ela…” Lu Sili começou, mas ao ver a calma expressão de Su Yuan, como se fosse apenas jantar na casa da avó, desistiu.

“Deixa pra lá, você é melhor nisso do que eu.”

Su Yuan sorriu e provocou: “Melhor em quê?”

“Em agradar a vovó.”

A antiga casa ficava em um lugar privilegiado, tranquilo e ao mesmo tempo perto de um parque montanhoso, e descendo a montanha, havia uma animada zona comercial do centro antigo. Era um patrimônio deixado pelo avô.

A avó era uma ótima cozinheira, mas Lu Sili não podia comer muito. Só conseguia beber um pouco da sopa; depois de uma tigela já estava satisfeito, e escolhia duas travessas de legumes.

Ele queria olhar o celular para ver trabalho, mas temia ser repreendido pela avó e teve que se contentar em ouvir a conversa dos outros três à mesa: flores, saúde, doces, clima, animais de estimação, novelas.

Lu Sili estava entediado e confuso: como Su Yuan sabia tanto dessas coisas e ainda conseguia conversar tão bem com a avó?

Será que ele realmente se interessava por tudo isso?

E Fiona? Como podia acompanhar a conversa? Ela nunca disse que gostava de novelas, e desde quando tinha um gatinho?

Lu Sili começou a suspeitar que, embora estivesse sentado ao lado deles, na verdade pertencia a outro mundo.

“Ah, já que estamos falando nisso,” Fiona, já satisfeita, tirou um tablet da bolsa e disse: “Vou mostrar para Su Yuan umas roupas para a cerimônia. O vendedor nos enviou algumas opções.”

A avó se aproximou interessada: “Deixa eu ver.”

“São as marcas que o Lili costuma usar,” disse a avó, olhando para Lu Sili. “Venha cá.”

Lu Sili arrastou a cadeira e sentou-se ao lado de Su Yuan para ver o tablet.

As roupas eram bonitas, com boa textura e cortes que refletiam a criatividade dos estilistas, nada entediantes — exatamente o estilo que Lu Sili gostava.

Fiona deslizou para o segundo conjunto: “E este? O vendedor disse que é lançamento.”

Su Yuan olhou para Lu Sili, perguntando sua opinião.

Lu Sili ia sugerir que Su Yuan escolhesse, mas a avó falou antes.

“Não serve para o pequeno Su,” disse ela, deslizando pela tela. “Essas marcas caras são exageradas e superficiais, não combinam.”

Lu Sili, que usava frequentemente aquelas marcas, ficou sem palavras.

A avó levantou-se e puxou Su Yuan consigo, dando alguns passos para avaliá-lo, beliscando o braço, apertando a cintura, olhando o rosto pensativamente.

Su Yuan ficou constrangido e olhou para Lu Sili em busca de ajuda.

Lu Sili baixou a cabeça para o celular, sorrindo interiormente com a “brincadeira” da avó.

“Pequeno Su, você é gentil e saudável, tem uma boa postura e um rosto bonito, seus olhos são como o pôr do sol de outono, suaves e calorosos.”

A avó, que fora professora e havia lido muitos livros, falava de forma culta quando não estava zangada.

Nos últimos dois anos, Lu Sili raramente a via assim, e de repente ela parecia animada, então perguntou: “E eu, como sou?”

Os três olharam para ele. Fiona ficou surpresa; Su Yuan, curioso.

A avó pensou um pouco: “Você é bonito, tem olhos de pêssego que hipnotizam ao sorrir, mas…”

Lu Sili completou: “Como as flores de pessegueiro na primavera?”

Ela respondeu: “Como aquelas flores que ficam na árvore no frio tardio da primavera, que não querem desabrochar de jeito nenhum.”

Lu Sili ficou sem reação.

Todos se seguraram para não rir.

“Então me diga, vovó, que roupa devo usar na cerimônia para não te envergonhar?” Su Yuan perguntou, sorrindo com doçura.

A avó sentou-se, sorrindo: “Dizem que a aparência do marido é a glória da esposa, e isso faz sentido.”

Ela pegou um copo d’água e bebeu, sem perceber as bochechas rosadas de Su Yuan. Depois tomou um gole de chá de flores, ergueu os olhos para Su Yuan e disse, com um ar orgulhoso: “Amanhã vou levá-lo à melhor alfaiataria de Licheng. Vamos fazer um terno sob medida. Conheço bem o dono, ele pode acelerar o serviço para você.”

Su Yuan ficou surpreso. Na visão geral, roupas de grife davam mais prestígio.

Lu Sili percebeu o olhar preocupado de Su Yuan e sabia qual era a alfaiataria mencionada. Para a geração mais velha, roupa feita sob medida era o topo da elegância, e alguns alfaiates tinham agenda lotada por um ano inteiro — eram famosos no meio.

Claro, o preço era alto, mas para quem não entendia, isso não ficava evidente.

Pensando nisso, Lu Sili até achou que a escolha da avó era excelente.

Em Licheng, todo mundo sabia quem tinha dinheiro; não era preciso que Su Yuan usasse marcas de luxo que não combinassem com ele só para impressionar.

“Então vamos seguir o conselho da vovó,” disse Lu Sili.

Su Yuan concordou naturalmente.

A avó ficou feliz. A filha dela raramente aparecia, o neto era teimoso e ocupado, e a senhora, sem muitos hobbies, sentia solidão.

Ela se aproximou e segurou o braço de Su Yuan: “Ternos têm muitos detalhes. Um milímetro a mais ou a menos muda tudo. Garanto que você será a pessoa com mais presença na cerimônia.”

Com tudo acertado, Lu Sili não interferiu mais. Após descansar um pouco, os três saíram juntos.

No caminho, Fiona perguntou: “Senhor Lu, e suas roupas?”

Lu Sili respondeu: “Vou usar a linha que a atriz Ying Xue representa.”

Ying Xue era uma atriz recém-contratada pelo departamento artístico este ano, uma jovem promissora, com excelente atuação, que conquistou o prêmio de melhor atriz coadjuvante em seu primeiro trabalho.

Atores focados na interpretação geralmente não têm muitos fãs, e a marca de luxo era um patrocínio da empresa, que também era uma das favoritas de Lu Sili. Como chefe, era normal apoiar os artistas da própria agência.

“Ah, falando nisso,” Lu Sili lembrou de repente, virando-se para Su Yuan: “Não compre a gravata nem os sapatos na alfaiataria.”

“Ok,” respondeu Su Yuan, sem saber o motivo, mas concordando.

Lu Sili virou-se e murmurou: “É bom que use alguma coisa de marca, senão vão pensar que eu, Lu Sili, não trato bem meu marido recém-casado.”

Fiona riu alto.

“Por que rir? Você pelo menos tem CHANEL. Ele também precisa usar algo caro. Ajude-o a escolher,” Lu Sili resmungou, um pouco irritado.

Fiona não se aborreceu, continuou rindo e falou como quem acalma uma criança: “Tá, tá, já entendi.”

Lu Sili não se preocupou mais com as roupas.

Com a cerimônia se aproximando, os compromissos sociais aumentaram, e Lu Sili chegava em casa sempre muito tarde, tendo pouco tempo para ficar com Su Yuan.

———

No dia da cerimônia, as entrevistas no tapete vermelho transcorreram sem problemas, muito mais tranquilas do que se esperava, sem imprevistos, e a mídia cooperou bastante.

Alguns grandes nomes que já haviam estampado a capa da revista “F&A Cinema” compareceram, dando prestígio ao evento. Apoiar-se em grandes nomes sempre traz conforto. Os prêmios eram poucos, mas tinham certo valor.

A festa começou às oito da noite.

Como executivo mais influente da F&A na China, Lu Sili estava sempre cercado de pessoas. Conversou um pouco com o presidente da Associação de Cinema e, quando finalmente pôde relaxar um pouco, Situ He apareceu.

Muitos no meio sabiam que Situ He tinha interesse em Lu Sili.

Situ He era um herdeiro rico que havia entrado no entretenimento como passatempo, acumulando uma grande base de fãs. Sua atuação era razoável, e às vezes conseguia bons papéis com diretores renomados, ganhando alguns prêmios.

Ele demonstrava interesse por Lu Sili, acreditando que tinha melhores condições, e enquanto o cortejava discretamente, exalava uma arrogância difícil de esconder.

Embora não fosse um flerte explícito, Lu Sili sempre respondia com recusas gentis e superficiais.

“Há quanto tempo não te vejo,” disse Situ He, vestido de alta costura, maquiado, cabelos impecáveis — mesmo entre as estrelas da cerimônia, ele chamava atenção.

Lu Sili sorriu levemente: “Realmente, faz tempo.”

Su Yuan chegou quando a cerimônia já havia começado. A cirurgia não tinha sido muito bem-sucedida e atrasara quase uma hora.

Sabendo que Lu Sili estaria ocupado, pediu para Fiona buscá-lo.

Embora Fiona tivesse o cargo de assistente, todos sabiam que ela era a vice-chefe do departamento de distribuição, e muitas pessoas a procuravam.

“Vi ele conversando com o presidente da Associação de Cinema. Não sei se já terminou,” Fiona guiava na frente, respondendo cumprimentos.

Su Yuan disse: “Tudo bem, se não terminou, espero perto dele.”

Mal terminou de falar e viu Lu Sili ao lado do presidente, mas havia outro homem alto e bonito perto dele.

Su Yuan o reconheceu pelas fofocas; ele havia declarado que “admirava” Lu Sili, chamando-o de mentor.

Fiona não sabia que Su Yuan o conhecia.

Ela se aproximou do ouvido de Su Yuan e explicou baixinho: “Situ He, ele tem um interesse no senhor Lu. É meio estranho.”

“E ele?” perguntou Su Yuan.

“Como assim?”

“Quero dizer, o que o Lu Sili sente por ele…”

Fiona respondeu sério: “Ele está desapegado, então… vou cuidar das minhas coisas, aproveite aí.”

Su Yuan finalmente sorriu e respondeu que sim.

“Você realmente se casou?!” Situ He perguntou.

Su Yuan olhou para ele, que encarava Lu Sili incrédulo. Lu Sili mantinha um sorriso educado e assentiu: “Sim.”

Situ He, por um lado, não acreditava; por outro, parecia muito incomodado.

Su Yuan baixou os olhos, sorriu levemente e se aproximou, posicionando-se ao lado de Lu Sili, educadamente dizendo: “Desculpe o atraso.”

Lu Sili, ao ver Su Yuan, suavizou o sorriso falso e puxou-o pelo braço, aproximando-o: “Meu marido, Su Yuan.”

No salão repleto de vestidos e ternos de grife, Su Yuan usava um terno feito sob medida, de corte simples, ajustado e adequado, que não chamava atenção à primeira vista, mas destacava sua silhueta e aura.

A gravata era uma peça de coleção superluxuosa, simples, porém elegante.

Situ He quase não conteve um sorriso irônico: “Beta?”

Lu Sili lançou um olhar frio: “Sim, Beta.”

Hoje, Su Yuan usava óculos de aro prateado, o cabelo arrumado, com uma aura gentil e culta que se destacava da ostentação ao redor.

Ele sorriu levemente e estendeu a mão para cumprimentar Situ He: “Prazer, Su Yuan.”

O canto da boca de Situ He se contraiu, mas ele sorriu e apertou a mão, embora sua força excessiva denunciava suas verdadeiras intenções.

Lu Sili franziu a testa, prestes a intervir, mas Su Yuan falou primeiro.

“Você está apertando demais.”

Lu Sili olhou para Situ He com um olhar gélido, um claro aviso para que ele não exagerasse.

— Este é meu marido.

Situ He ficou constrangido e soltou a mão.

Su Yuan recolheu a mão, sorrindo e dando um conselho: “Se tem tenossinovite, evite forçar o punho, senhor Situ.”