Volume Um, Capítulo Dois: O sistema temia que eu não fosse bela o suficiente, então ainda trocou minha pele por a de uma beldade

Transmigrando para o Mundo Bestial: Meus Maridos Feras Me Mimam Até o Céu O funeral do imperador Gan 2466 palavras 2026-07-31 05:05:31

A floresta, ampla e silenciosa, era interrompida apenas ocasionalmente por alguns rugidos de animais, que só serviam para assustar Guo Xiaoxiao, sem qualquer utilidade real. Ela chamou:

— Ferro Grande!

— Estou aqui.

— Por que ainda não apareceu ninguém para me encontrar? Em outras histórias, basta a protagonista chegar e em menos de cinco minutos já aparece um macho para levá-la embora. Eu já estou aqui há tanto tempo e nem sinal de uma alma viva!

— Acho que você não teve sorte. Recomendo que não fique sentada aí. O anoitecer se aproxima e muitos animais selvagens sairão. Procure uma caverna para se proteger.

Era esse o tratamento que uma heroína transmorfa merecia? Guo Xiaoxiao não conseguia imaginar quão difíceis seriam os dias que viriam. Ela não exigia um macho como as outras protagonistas, mas pelo menos alguém para guiá-la. Num mundo desconhecido, sem habilidades especiais, ela não seria devorada viva?

— Hospedeira, logo à frente há uma caverna, a poucos metros. Entre lá e eu lhe darei a recompensa de iniciante.

Ao ouvir sobre uma recompensa, todo o desânimo desapareceu. Guo Xiaoxiao ajeitou sua bagagem volumosa, colocou a mochila nas costas e seguiu até a caverna indicada pelo sistema.

O local era bem estruturado, como se alguém já o tivesse arrumado antes; cerca de quinze metros quadrados, nem grande nem pequeno, perfeito para uma pessoa. Havia uma pele de animal rasgada ao lado, mas o pó que a cobria indicava que fora abandonada.

Guo Xiaoxiao largou a bagagem num canto e imediatamente chamou o sistema para receber sua recompensa.

— Agora, um aviso sobre a recompensa de iniciante: ela é um pouco especial. Durante o processo, você entrará em modo de sono profundo. Para receber, deite-se de costas.

Que tipo de recompensa exigia adormecer para ser recebida? Guo Xiaoxiao não tinha disposição para questionar; aquela não era hora para ser exigente, embora estivesse preocupada com sua segurança.

— Você realmente quer que eu durma aqui no meio do mato? Se uma cobra me picar, acabou para mim.

— A recompensa tem prazo. Se você não receber agora, perderá. Deite-se logo, ou será considerado desistência voluntária.

Um verdadeiro contrato de adesão. Sem opções, ela pegou uma capa da mala, deitou-se sobre ela e aguardou.

— Recompensa sendo entregue.

Com a voz do sistema, sua consciência foi se tornando turva e todos os sons ao redor desapareceram, mergulhando-a num sono profundo.

— Irmão, sentiste? Senti o cheiro de uma fêmea.

O corpo de Mikel estava coberto de sangue — não o seu, mas o das presas caçadas. O dia fora farto; era tempo de reprodução. A localização do clã era estratégica, atraindo muitos animais selvagens para perto da aldeia, o que facilitava a caça, mas também trazia problemas: tantos animais, de vez em quando, invadiam o vilarejo e causavam confusão.

Alguns guerreiros robustos amarravam as presas com cipós; aquelas ainda vivas eram rapidamente sufocadas, sem chance de sobrevivência.

As criaturas, tão ferozes, pareciam frágeis como gatinhos nas mãos dos caçadores. Os músculos definidos cobriam seus membros, cada um deles era de uma beleza extraordinária. Não fosse pelo sangue em seus corpos e o olhar selvagem de quem acabara de lutar, seriam dignos de serem admirados em qualquer época.

— Fêmea? Onde?

A palavra "fêmea" era suficiente para excitar qualquer membro do clã. Encontrar uma e gerar descendentes era o ápice da vida.

— No meio do mato? O sol está se pondo, depressa, levem as presas para casa.

Mickson falou baixo; os outros ainda queriam perguntar, mas ninguém ousou depois que ele ordenou. Voltaram ao trabalho.

O crepúsculo caía, o sol avermelhado descia pelas montanhas, seus últimos raios dourados reluziam no suor da testa de Mickson, conferindo-lhe um ar ainda mais encantador. Em seu olhar, um brilho intenso, como se buscasse algo no horizonte.

Ele também sentira o aroma de uma fêmea, doce e diferenciado das mulheres do clã. Era um perfume realmente delicioso... Durou apenas um instante.

Ninguém sabe quanto tempo passou. Guo Xiaoxiao abriu os olhos, o corpo exausto, como se tivesse sido espancada. Qualquer movimento fazia seus ossos estalarem.

Pronto, hora de ver minha recompensa. Olhou ao redor, animada.

Dentro da caverna, apenas a luz da lua iluminava o local. Era, de fato, um bom abrigo; a lua cheia entrava diretamente pela entrada. Se estivesse completamente escuro, teria ficado apavorada.

Mas... nada ali. Exatamente como antes de dormir. Não era possível que fosse uma pegadinha.

— Ferro Grande, onde está minha recompensa de iniciante?

— Já foi entregue. Olhe-se no espelho.

No espelho? Confusa, ela pegou o espelhinho de maquiagem da bolsa. Quando viu seu reflexo, quase deixou o vidro cair.

Aquele era o seu rosto?

Uma beleza de tirar o fôlego.

Ela ficou paralisada diante do espelho. Os cabelos longos, como uma cascata, caíam suavemente até a cintura. Os olhos grandes brilhavam, lábios vermelhos como cerejas, o nariz delicado em perfeita harmonia.

Sobrancelhas suaves como águas outonais, pele de jade acariciada pela brisa, sem qualquer imperfeição.

Era ela, mesmo? Virou-se, conferiu o perfil, olhou a nuca, fez poses estranhas até ter certeza de que aquela era sua nova face. Ficar mais bonita era ótimo, mas... que utilidade teria ali?

— Para que me deste um rosto bonito? Não serve de nada! Estou no meio do mato. Por que não me deste algo útil?

— É o pacote de iniciante, hospedeira. O que recebe é o que está disponível. Se quiser algo útil, vá caçar.

O sistema estava superestimando suas capacidades? Ela nunca sobrevivera na selva. Como caçaria algo?

— Se eu soubesse caçar, não estaria preocupada. E se aparecer uma fera?

— Então lute com ela!

Era uma provocação? Guo Xiaoxiao quase explodiu, mas o sistema logo interveio:

— Hospedeira, aceite uma missão. Amanhã, se conseguir alimento de qualquer forma, ganhará como recompensa a Cura Inicial, uma habilidade para tratar ferimentos externos.

Isso já parecia melhor.

A raiva cedeu espaço à esperança. Ela respirou fundo, tentando se acalmar.

Sentou-se de pernas cruzadas e começou a refletir. A recompensa era boa, mas sair pela floresta em busca de comida era um desafio enorme. Olhou para a escuridão lá fora; a lua não conseguia iluminar as profundezas da mata. À noite, a floresta era tudo, menos silenciosa. Medos não vêm do que conhecemos, mas do desconhecido.

Um calafrio percorreu sua espinha e ela se encolheu ainda mais na caverna.

Vestiu uma roupa térmica tirada da mala e comeu dois pãezinhos. Pelo menos, teve a sorte de viajar com a mala e a mochila juntas — sua única sorte até ali.