Capítulo 13: "Idiota"
O que eu fiz? Eu acabei revelando ao principal suspeito que a Delegacia Metropolitana de Polícia não tinha provas?! Takuto Nakajima ficou parado, com a mente completamente em branco. Quando a polícia não possui provas concretas, a estratégia para fazer Kuusuke Akikawa confessar é fazê-lo acreditar que já temos evidências, mas que estamos dispostos a ser indulgentes, oferecendo-lhe uma chance de redenção por meio da confissão voluntária. Agora que Kuusuke sabe que não há provas, todo aquele blefe anterior perde o sentido, não é? A mão de Nakajima, que segurava a gola de Kuusuke, foi se afrouxando gradualmente, e Kuusuke se libertou, tossindo intensamente. Contudo, naquele momento, Nakajima não podia se concentrar nele. Ele percebeu que cometera um erro gravíssimo, e suas costas já estavam encharcadas de suor frio. Se seu superior descobrisse, ele certamente sofreria uma punição severa. "Não, não é assim, ainda há chance de consertar." Ele virou a cabeça com rigidez para olhar Kuusuke, que se agarrava ao pescoço enquanto tossia desesperadamente. "Com a idade mental e a experiência dele, talvez nem compreenda o significado daquilo que acabei de dizer." "Uma criança trancada em casa desde o primário, como poderia conhecer o procedimento investigativo da polícia criminal?" "Além disso, se ele confessar, todo o erro anterior será anulado, certo?" "Se o suspeito já confessou, quem saberia que eu, inadvertidamente, revelei detalhes da investigação a ele?" Nakajima se acalmou e falou firmemente para Kuusuke: "Vou te dar mais uma chance. Pense bem antes de responder. Lembre-se, estou te dando uma oportunidade!" "Você já é maior de idade. A Lei de Proteção não se aplica a você desde dois anos atrás." "Se você confessar honestamente agora, será considerado uma confissão voluntária e terá uma pena mais branda." "Mas se for pego, o resultado será diferente." Nakajima não tinha mais energia para fingir amabilidade diante de Kuusuke. Ele foi direto ao ponto, achando que assim Kuusuke entenderia. Kuusuke ponderou por um instante e disse cautelosamente: "Agora que lembro, a pessoa que matou minha mãe de moto parecia estar usando luvas." Nakajima ficou perplexo. "Você ainda está inventando coisas? Ouvi dizer que não encontraram impressões digitais, então você inventou que o falso culpado usava luvas, certo?" Nakajima quase explodiu de raiva e gritou: "Chega dessa história da pessoa de moto! A polícia já tem provas. Você matou a senhora Ryoko por rancor contra sua mãe!" "Não, não! Eu estou dizendo a verdade!" Kuusuke negava incessantemente. "Mesmo que eu quisesse matar minha mãe, eu não conseguiria..." "Que ‘mesmo que’? Que ‘não conseguiria’?!" Nakajima gritou furioso, segurando a mão direita de Kuusuke, que estava escondida na manga do pijama. No entanto, ao ver que aquela mão estava inchada, roxa e dobrada na direção contrária, Nakajima engoliu as palavras pela metade. "Ah—!" Ouviu-se um grito de dor de Kuusuke. Nakajima viu o rosto de Kuusuke contorcido pela dor e soltou a mão rapidamente. "O que... o que aconteceu com sua mão?" Sua voz começou a falhar, pela primeira vez percebendo que a mão direita de Kuusuke estava quebrada, com inchaço severo e hemorragia subcutânea, cuja coloração não era vermelha, mas sim roxo-azulada, indicando que a lesão já tinha algum tempo. Um pressentimento ruim surgiu na mente de Nakajima. "Eu já disse... ontem, quando minha mãe freou bruscamente... eu bati..." "Por que você não disse nada quando acordou hoje de manhã?!" "Eu... não tive coragem..." Nakajima olhou para Kuusuke, que evitava olhar nos olhos dele, com medo extremo. Sentiu uma onda de raiva e tontura o dominar. "O que está acontecendo aqui?!" "É como uma criança machucada que tem medo de voltar para casa e levar bronca, então esconde a dor e deixa a ferida piorar!" "Ele é idiota? Ele realmente é idiota!" "Já tem vinte anos, é adulto! Como pode agir como um colegial imbecil?" Nakajima finalmente entendeu a estranheza de Kuusuke durante a refeição: ele já estava com a mão direita machucada, mas com medo de ser descoberto, usava a mão esquerda para comer, o que o deixava desajeitado. Nakajima amaldiçoou silenciosamente, mas logo pensou em outra coisa. Kuusuke parecia ter a idade mental de uma criança! "Será que é verdade? Que ele não matou a mãe?" "Mas ele tinha todos os motivos, era o único suspeito!" "Ele foi preso e maltratado pela mãe desde criança, deveria odiá-la profundamente!" "Com a morte da mãe, ele seria o maior beneficiado!" "Além disso, quando falou que a mãe foi morta por um estranho, embora hesitante, não demonstrou as mentiras evidentes de antes." "Ou será que ele fingiu não mentir para esconder a verdade ao criar a versão do crime?" Nakajima ficou horrorizado ao perceber que até ele mesmo começava a acreditar que Kuusuke não era o assassino. Porém, emocionalmente, ele não podia aceitar isso. Pois se fosse verdade, o que ele fez hoje teria consequências gravíssimas. Coação para obter confissão. Tortura psicológica. Qualquer uma dessas práticas seria suficiente para arruinar a confiança do público na Delegacia Metropolitana. Embora esse tenha sido o método usual da delegacia, aplicar essas técnicas no suspeito errado causaria punições severíssimas. "Não, é você!" "Você perdeu a mão direita, mas ainda tem a esquerda!" "Com uma faca, ainda poderia matar sua mãe." "Depois, apagou as impressões digitais!" "Isso mesmo!" "Você fingiu ser uma criança para me fazer baixar a guarda!" Nakajima agarrou a mão esquerda de Kuusuke, gritando freneticamente. O assassino só podia ser Kuusuke. Ele tinha que ser o culpado! Kuusuke tentou se soltar, mas não tinha força para rivalizar com Nakajima. "Parem!!" Naquele momento, a porta do quarto abriu-se de repente com um estrondo. Um grito alto ecoou pelo hospital. No instante seguinte, Nakajima sentiu sua mão direita, que segurava o pulso de Kuusuke, ser agarrada por mãos pálidas. "Com licença." Aquela voz soou novamente. Mal terminou de falar, uma dor intensa veio do seu pulso. "Ah—!!" Nakajima soltou a mão imediatamente e olhou para quem a segurava. Era Masumi Sera, a detetive do ensino médio. "Como uma simples estudante ousa enfrentar um policial da Delegacia Metropolitana..." Quando Sera questionou se ele estava coagindo o suspeito, sua atitude já havia sido bastante arrogante. Agora, ela ainda ousava agir fisicamente contra ele. Nakajima sentiu que aquela jovem detetive não respeitava nem um pouco os policiais criminais da delegacia. Ele precisava mostrar a ela as consequências de subestimar a polícia. No entanto, antes que pudesse falar, sua visão turvou e ele ouviu um estalo no ar. Sem que percebesse, Sera fechou a outra mão em punho e a lançou como uma bala ao lado de sua orelha. Alguns fios de cabelo caíram com o golpe. A orelha de Nakajima ardia com o vento do soco. Sentiu o sangue gelar no corpo em questão de segundos. Nakajima não duvidou: se aquele soco tivesse acertado seu rosto, ele teria ido direto para a emergência. "Você está muito impulsivo, senhor. Sera é uma especialista em Jeet Kune Do, capaz de dominar até Ran..." Conan, que entrou junto, olhou para o atordoado Nakajima e, com um leve sorriso cínico, pensou consigo mesmo. "Nakajima! Sra. Sera! O que vocês estão fazendo?!" Então, Chiba e Shin chegaram correndo, seus gritos ecoando no quarto. Eles ficaram boquiabertos, sem entender o que estava acontecendo. Pouco depois, Sera recuou um passo, afastando-se de Nakajima. Ela limpou o punho, onde havia um mosquito esmagado. Nos seus olhos verde-escuros refletia-se o rosto pálido de Nakajima, e em sua expressão delicada, mais bela que muitos ídolos masculinos em atividade, surgiu um sorriso de desculpas. "Desculpe, policial Nakajima, era um mosquito."