Capítulo 6
— Há algo que a deixe feliz? — perguntou Lin Xiwu com um sorriso.
No mês desde que conhecera Gu Wuzhuo, embora conversassem com frequência, Lin Xiwu sempre sentira a existência de uma barreira invisível entre eles. Por isso, ao flagrar um lampejo de calor no olhar dele, ela não pôde evitar uma ponta de entusiasmo.
O jovem, pego de surpresa em seus pensamentos, sentiu-se momentaneamente atordoado, e seu humor logo despencou.
Ela o estava observando.
A percepção foi clara e, num instante, desmoronou a confiança que ele vinha construindo.
— Entre — disse Gu Wuzhuo em voz baixa.
Ele girou a cadeira de rodas para o lado, permitindo que Lin Xiwu entrasse na sala lateral. Sua palma, vasta e pálida, pousou sobre a porta de madeira, fechando-a em silêncio.
— Como percebeu? — perguntou Gu Wuzhuo, movendo o pulso, a única parte do corpo que ainda obedecia ao seu comando, em um gesto casual no ar.
Ele a tratava com gentileza e, por vezes, sentia-se atraído por ela, mas mantinha-se sempre em guarda. Se tivesse a certeza de que Lin Xiwu era uma espiã, ele não hesitaria em agir contra ela.
Ao ouvir a pergunta, Lin Xiwu inclinou a cabeça, pensativa:
— Intuição, talvez?
O jovem, de beleza tão etérea quanto a de um imortal, ergueu o queixo para encará-la. Seus movimentos tornaram-se lentos, como se tivessem sido pausados, e, por fim, ele imitou o gesto de Lin Xiwu, inclinando a cabeça.
— É assim que funciona? — perguntou ele, as longas pestanas levemente erguidas, conferindo-lhe um aspecto dócil.
Lin Xiwu assentiu vigorosamente:
— Claro! Convivemos há tanto tempo, deveríamos nos conhecer um pouco melhor, não acha?
Ela o observava com sinceridade, sem qualquer artifício. Gu Wuzhuo a analisou demoradamente; a dúvida em seu coração misturava-se a outros sentimentos, e seus olhos, em formato de fênix, condensaram um brilho frio, tornando-o distante.
Ao seu lado, Fa Lian canalizava energia vital, formando uma linha que penetrava no dorso da mão esquerda de Gu Wuzhuo, infundindo-lhe poder espiritual. O livro descrevia que tal método de expulsão de toxinas era extremamente doloroso, mas Gu Wuzhuo parecia insensível. Talvez pela exaustão e pela falta de hidratação, seus lábios estavam pálidos, e ele os umedeceu levemente.
Lin Xiwu notou e, com um sorriso gentil, disse:
— Irmão mais velho, está com sede? Vou lhe servir um pouco de água.
Ela caminhou apressada até a mesa de chá de jacarandá. Como ajudava com as tarefas na Clínica Sucao, sabia exatamente onde ficavam os utensílios, e seus movimentos foram fluidos e precisos.
Enquanto ela se movia, Gu Wuzhuo a observava, com o olhar seguindo-a. Seu rosto, de uma palidez doentia, tremulava como uma flor de lótus sob o luar.
— Aqui está.
Pouco depois, uma xícara de porcelana surgiu diante dele. A água límpida balançava suavemente acompanhando o movimento das mãos dela.
Ao servir, ela havia se virado de costas por um instante — uma oportunidade perfeita para envenenar a bebida. Gu Wuzhuo já fora vítima de tais truques e tinha experiência. Mesmo que houvesse veneno, ele saberia como reagir. Hesitou por um momento, então pegou a xícara e bebeu lentamente.
A água estava morna. Apenas isso.
Ele não sabia dizer quantas vezes já havia julgado as intenções alheias com desconfiança.
— Sim — Gu Wuzhuo baixou o olhar e assentiu. — Recebi boas notícias, estou feliz.
Segurando a xícara livre de veneno, o peso em seu coração se dissipou. Ele soltou um suspiro de alívio.
— Que maravilhoso! — Lin Xiwu sorriu, com a voz entusiasmada. — Embora eu não saiba do que se trata, fico feliz por você.
Gu Wuzhuo voltou a beber a água.
— Ah, a propósito — disse Lin Xiwu com um sorriso — vim me despedir.
Gu Wuzhuo parou de beber:
— Por quê?
— Luo Yunchen disse que, como passo o tempo todo na clínica e ele não consegue me ver, está com saudades. Quer que eu me mude de volta — disse Lin Xiwu com irritação.
A mera menção ao nome dele a deixava de mau humor. Passear com Luo Yunchen era um verdadeiro calvário. Ela queria aproveitar a oportunidade para falar sobre o encontro do Festival das Lanternas e concluir sua missão, mas, por ter atuado tão bem, ele não parava de importuná-la.
Graças à agilidade de Lin Xiwu, ele não conseguira tocá-la, limitando-se a mexer no enfeite de cabelo dela.
— Use sempre este acessório — dissera ele, com uma voz enjoativa. — Sempre que eu o vir, lembrarei dos momentos que passei com a irmã Zhirou.
Lin Xiwu finalmente encontrara o momento certo para fingir timidez e escapar, soltando a deixa: "Está bem, irmão Yunchen, aceito, veremos as lanternas juntos no festival".
— Irmã Zhirou está tímida? — ele rira ao fundo.
— Que nojo — pensou ela.
Lin Xiwu odiava Luo Yunchen, mas, por fora, mantinha uma justificativa plausível.
— Ele disse que quer me ver mais, e que a clínica não é lugar para se estar sempre. Além disso, o resultado do exame literário sairá em breve, e preciso me preparar para o teste de raízes espirituais e o exame de artes marciais. Já comuniquei o Mestre Yunpu e recebi permissão. Vim avisá-lo pessoalmente.
— Quando parte?
— Vou arrumar minhas coisas hoje à noite e parto amanhã.
Para Gu Wuzhuo, Lin Xiwu parecia outra pessoa quando falava de Luo Yunchen. Tornava-se mais contida, mas seu afeto permanecia evidente.
Após um mês, ele compreendia que ela tratava as pessoas de formas diferentes, dependendo de seu interesse. Mas, na situação atual, mesmo que ela gostasse daquele cultivador, suas esperanças provavelmente seriam frustradas.
— Aquele homem não é alguém de bom caráter e, claramente, tem preferência por outra pessoa — disse Gu Wuzhuo. — Por que se preocupar tanto e sofrer à toa?
Lin Xiwu pegou a chaleira e serviu-lhe mais uma xícara:
— Ainda está com sede?
Ele silenciou, percebendo que havia se excedido. Lin Xiwu estava muito perto e, ao ouvir o conselho dele para esquecer Luo Yunchen, quase riu de irritação.
Ela estava apenas interpretando um papel. Gu Wuzhuo, o segundo protagonista, deveria olhar para si mesmo antes de criticá-la.
— A senhorita Yue é adorável, não é? — Lin Xiwu ironizou. — Tão bela, com uma voz doce e uma elegância delicada.
Ao ver que Gu Wuzhuo permanecia impassível, ela inclinou-se, aproximando-se do ouvido dele.
— Vou lhe contar um segredo, Jovem Mestre: eu não gosto nem um pouco daquele homem.
Gu Wuzhuo olhou-a com estranheza:
— Então, por que se arruma tanto para ele, irmã júnior Lin?
Lin Xiwu ignorou a pergunta:
— Não haverá um final feliz para as garotas que gostam dele. Jovem Mestre, tente outra pessoa.
O sorriso de Gu Wuzhuo vacilou; ele não compreendeu de imediato o que ela queria dizer.
— O quê?
— Yue Qingqing. É uma garota que você nunca terá, desista — repetiu Lin Xiwu, sentindo-se vitoriosa por finalmente ter desabafado.
Ao ouvir isso, Gu Wuzhuo ficou atônito. Levou alguns instantes para processar.
Suas orelhas, pálidas, tingiram-se de um rubor súbito. Ele franziu o cenho e, num movimento brusco, virou o rosto na direção de Lin Xiwu.
Ela estava tão perto que, por pouco, não roçou o rosto dele. Lin Xiwu afastou-se imediatamente, cobrindo a boca, gaguejando:
— V-você... o que está fazendo?
Ela esquecera até as formalidades.
Ao ver a expressão séria de Gu Wuzhuo, misturada com a irritação de ter seus segredos expostos e o constrangimento de falar sobre tais assuntos, ele disse com firmeza:
— Irmã júnior, meça suas palavras. Não tenho interesse em ninguém.