Capítulo 1: Sou belo?
Flagrando uma traição...
Ainda mais indo com minha prima buscar flagrante, só de pensar já mexe comigo.
E quem diria que acabaria flagrando a mim mesmo.
...
Xu Youqing é minha prima.
Se for falar de beleza, ela é realmente encantadora, com curvas acentuadas.
Seja o rosto ou o corpo, satisfaz completamente todas as fantasias que um homem pode ter com uma mulher na cama.
Quem imaginaria que aquele canalha do meu primo trairia uma mulher dessas?
Na verdade, ele nem é meu primo de sangue, só somos do mesmo vilarejo, e pela ordem de nascimento o chamo assim.
Ele entrou na fábrica depois de mim, mas por causa da prima conseguiu virar diretor. Confesso que sempre tive implicância com ele.
Minha prima, por sua vez, sempre foi minha paixão secreta, e ele ainda tem a ousadia de traí-la.
Se não for para acabar com ele, então não sei para quem seria.
Também não sei como a prima conseguiu o endereço do motel onde ele estava. Ela me procurou, e juntos fomos até uma pensãozinha.
Mal nos aproximamos e já começamos a ouvir sons lascivos vindos de dentro.
Ondas e mais ondas de gemidos.
Senti uma onda de calor subir pelo baixo-ventre.
Meu rosto ficou quente, e olhei de relance, envergonhado, para minha prima.
Ela percebeu meu olhar, e também corou.
Seu rosto ficou rubro, o ar de timidez só a deixava ainda mais tentadora, os lábios trêmulos de quem está prestes a chorar, tudo nela era provocante.
Se eu pudesse casar com uma mulher como ela...
Viveria dez anos a menos, mas aceitaria.
E meu primo ainda me faz isso...
"Prima, sai da frente, vou arrombar essa porta." Respirei fundo e me preparei para dar um pontapé.
Ela assentiu, deu um passo atrás, encostou-se na parede do corredor, os olhos marejados e brilhantes.
Olhei para ela e fiquei um instante paralisado.
"Xiaofan, o que está esperando? Vai logo!" Ela se aproximou, me empurrou, claramente magoada.
"Ah, ah!" Voltei à realidade, inspirei fundo, pronto para chutar a porta.
Meu coração quase saiu pela boca.
Afinal, era um flagrante.
E ainda por cima, com meu próprio primo.
Se pelo menos ele fosse bom comigo no dia a dia, talvez hoje nem teria vindo, muito menos acompanhado minha prima para isso.
"Vai logo!"
Vendo minha hesitação, ela bateu o pé, impaciente.
"Está bem!"
Respirei fundo, murmurei baixinho: "Zhang Yao, você que procurou, não me culpe."
E então, reuni toda a força e chutei a porta de madeira da pensão.
Com um estrondo, a porta se abriu.
E então...
Junto com um grito agudo de mulher, vi Zhang Yao, sem camisa, na cama. Ele virou-se, me lançou um olhar furioso, mas no canto da boca havia um resquício de culpa.
Por mais que fosse só por costume, o chamava de primo há anos.
Havia, sim, um pouco de consideração.
Mas quando enxerguei quem estava debaixo dele, meus olhos se arregalaram, as pupilas se contraíram.
A mulher era minha namorada, Zhang Yan!
Senti como se minha cabeça explodisse.
"Zhang... Zhang Yan?"
Minha voz trêmula mal conseguia acreditar.
"Zhang Fan, o que faz aqui?" Zhang Yan me olhou, assustada, empurrou Zhang Yao e puxou o lençol para se cobrir.
"O que faço aqui?" Ri, frio, vendo Zhang Yao tentar vestir as calças apressadamente.
"Desgraçado!"
Gritei, pulei em cima dele com o punho cerrado.
"Zhang Fan, calma, deixa eu explicar!"
Zhang Yao, apavorado, agarrou as calças e tentou se esconder na cama.
"Explicar o quê?!"
Flagrados em flagrante, ainda querem explicar.
Namorava Zhang Yan há mais de um ano, nem beijo tinha rolado, e ela já estava com Zhang Yao.
Tremendo de raiva, acertei um soco em cheio no rosto de Zhang Yao.
Ele gemeu de dor e tentou subir na cama, mas agarrei a perna dele e o arrastei para o chão.
"Zhang Fan, calma, deixa eu explicar", ele tentou subir de novo, agarrado ao lençol.
Não ia deixar barato.
O puxei de volta.
"Desgraçado, canalha!"
Com os olhos esbugalhados, chutei uma, duas, várias vezes nele.
"Ah!"
Meu primo gritava, balançando os braços para proteger a cabeça. "Xiaofan, deixa eu explicar, deixa eu explicar!"
"Explicar o quê?!"
Resmunguei, ergui o pé, pronto para acabar com aquele infeliz.
"Ah!" De repente, Zhang Yan, ainda na cama, soltou um grito agudo.
Me assustei e virei para ela.
Vi-a nua, pegar um cinzeiro de vidro grosso do criado-mudo e, num pulo, veio para cima de mim.
Gritando, ela desferiu o cinzeiro direto na minha cabeça.
Um baque surdo.
O cinzeiro era de vidro temperado, duro como tijolo.
Senti um zumbido dentro da cabeça, estrelas dançaram diante dos olhos, e cambaleei para trás, segurando a cabeça.
"Zhang Yan, você..."
Olhei para ela, atônito, sentindo o corpo cambalear.
Minha prima, que antes não tinha coragem de encarar a traição, entrou ao escutar o tumulto e viu meu sangue escorrer pela testa.
"Xiaofan!"
Ela gritou, desesperada, e correu para me segurar.
Minha cabeça girava cada vez mais, e acabei me apoiando nela.
Senti o perfume dela, doce e envolvente.
Que cheiro bom, pensei.
Minha prima é mesmo linda.
A consciência foi se esvaindo e meu corpo escorregou pelo corpo dela até o chão, olhando para Zhang Yan ainda nua em cima da cama.
Dava vontade de rir e de chorar.
Namorei essa mulher por quase um ano.
Gastei milhares de reais, nunca encostei um dedo.
E, agora, peguei ela na cama com meu primo.
E ela ainda me atacou para defendê-lo.
"Vadia!"
Resmunguei, fraco.
Apoiado em minha prima, senti o corpo desfalecer.
Ela, que já era fraca, e nervosa, não conseguiu me segurar.
Mesmo tentando, acabei desabando, desmaiado.
Quando acordei...
Estava em um quarto estranho.
Toquei a testa enfaixada, e as imagens de Zhang Yan com meu primo vieram à mente.
A raiva voltou com força. Pulei da cama.
"Zhang Yan, Zhang Yao, vou acabar com vocês!"
Gritei, correndo até a porta.
Nesse instante, ouvi o clique da porta do banheiro.
"Xiaofan, o que você vai fazer?" Minha prima saiu vestida apenas com uma camisola de alças finas e me segurou.
"Prima, onde estão aqueles dois canalhas?"
Perguntei, furioso.
"Chamei a polícia, eles foram levados para a delegacia!" Ela respondeu baixinho.
"Foram presos?" Franzi a testa.
"Sim", ela confirmou, olhou minha testa machucada e, na ponta dos pés, soprou levemente: "Xiaofan, ainda dói?"
Tenho 1,82m de altura.
Minha prima, 1,68m, teve de ficar na ponta dos pés para soprar.
Seu corpo quase encostou no meu.
Só então percebi que ela usava apenas uma camisola transparente e sensual, deixando à mostra os ombros delicados e brancos. O principal: não usava nada por baixo.
De cima, olhando pelo decote, eu via a brancura da pele dela.
Aquela pele macia e clara.
Senti o sangue ferver na cabeça.
Ela percebeu meu olhar, corou intensamente, recuou, virou-se tapando o decote e, envergonhada, perguntou baixinho:
"Xiaofan, eu... eu estou... bonita?"