Família Zhang da Cidade de Wutan
Ainda bem, você finalmente acordou.
Naquele momento, todo o quarto pareceu inundar-se com a alegria da vida. A luz do sol escapou sorrateira pelas frestas da cortina e pousou sobre o seu rosto; aquele brilho morno parecia sussurrar suavemente: "Ainda bem, você finalmente acordou."
Suas pálpebras tremeram levemente, como folhas de salgueiro no início da primavera balançando ao vento e, enfim, abriram-se lentamente, revelando aqueles olhos cheios de confusão e curiosidade. Seu olhar percorreu o quarto, como se buscasse uma familiaridade há muito perdida.
Minhas mãos, que antes estavam cerradas com força, finalmente relaxaram, e o peso que eu carregava no coração dissipou-se. Aproximei-me rapidamente da sua cama, com a voz embargada pela emoção: "Ainda bem, você finalmente acordou. Você sabe o quanto me preocupei durante todo esse tempo? O quanto tive medo de que..." Minhas palavras falharam, presas na garganta, como se todas as emoções tivessem finalmente encontrado um caminho para transbordar.
Você olhou para mim, e um lampejo de dúvida brilhou em seus olhos, mas logo foi substituído por uma profunda gratidão. Você se esforçou para se sentar, e eu prontamente o amparei, ajudando-o a encontrar uma posição confortável. Seus dedos tocaram levemente o dorso da minha mão, e aquela sensação fria confirmou que você, de fato, havia despertado.
"Obrigado por ter ficado ao meu lado", disse você, com a voz fraca, porém carregada de força. Eu sorri e balancei a cabeça: "Não, sou eu quem deve agradecer a você, por ter me dado um motivo para esperar e persistir."
Lá fora, o sol brilhava ainda mais intensamente, atravessando a janela e banhando todo o quarto, envolvendo-nos em seu clarão. Naquele momento, soube que toda a espera e resiliência valeram a pena, pois você finalmente estava de volta.
Zhang Xiaobai abriu os olhos lentamente. Não estava ele em uma batalha decisiva contra os cinco grandes soberanos? Como poderia estar no quartinho de despejo? Teria ele se autodestruído, levando seus inimigos consigo?
Onde estava? Zhang Xiaobai sentiu uma dor lancinante na cabeça, e um turbilhão de memórias invadiu sua mente. Descobriu que havia reencarnado, transmigrado para o corpo de um jovem chamado Zhang Xiaobai, no Continente Tianming. Aquela que acabara de falar era sua prima, Zhang Xue.
"Criança, você finalmente acordou."
O clã Zhang era uma das quatro grandes famílias da Cidade de Wutan. Além da mansão do senhor da cidade, o comando residia nessas quatro famílias. O pai de Xiaobai era o patriarca do clã Su. Teoricamente, um filho do clã não deveria habitar um quartinho de despejo. Contudo, a esposa do patriarca era uma mulher autoritária que também tinha filhos, enquanto a mãe de Zhang Xiaobai era apenas uma concubina. Sob a perseguição deliberada da patroa, Xiaobai e sua mãe viviam pior do que os criados. Além disso, Zhang Xiaobai era considerado um fracassado sem raiz espiritual, enquanto os dois filhos da patroa eram cultivadores talentosos. O pai até tentou interceder por ele, mas, ao ver a falta de aptidão do rapaz, desistiu. Por isso, Xiaobai nunca foi bem-vindo na família.
Ele fora espancado pelos servos até ficar gravemente ferido, momento em que sua alma transmigrou. Agora que estava aqui, precisava proteger seus entes queridos a qualquer custo.
Sua mãe, dentro do clã Zhang, sobrevivia lavando roupas para os outros para sustentar as despesas da casa.
Nas profundezas dos becos da Vila Zhang, a silhueta da mãe era sempre um retrato de labuta e firmeza. Ao romper da aurora, quando o céu mal ganhava um tom esbranquiçado, ela já se levantava silenciosamente. Com a bacia de madeira nas mãos, atravessava a névoa matinal rumo ao riacho na periferia da vila. A água, límpida e cristalina, refletia um brilho dourado, como se fosse o espelho do suor de seu trabalho árduo.
A mãe curvava-se e mergulhava as peças uma a uma. Seus dedos moviam-se com agilidade, como peixes brincalhões na correnteza. Suas mãos, embora calejadas pelo tempo e pelo esforço, eram plenas de força e ternura. Ela esfregava as roupas com delicadeza, como se estivesse acariciando o próprio filho; aquela dedicação e afeto eram comoventes.
Com o nascer do sol, a luz incidia sobre ela, fazendo brilhar gotas de suor em seu rosto. Sua figura, sob a luz da manhã, parecia tão pequena, porém tão resiliente. As marcas profundas em suas mãos eram o testemunho de seu sacrifício pelo lar e de sua inabalável tenacidade.
Sempre que os aldeões passavam e viam sua dedicação, não podiam deixar de parar para trocar algumas palavras. Eles sabiam que, embora pobre, a diligência e a bondade daquela mãe lhe conferiam o respeito e a admiração de todos.
As roupas lavadas, balançando ao vento no varal de bambu, pareciam poemas de louvor à maternidade. A mãe, ao lado, observava-as com um sorriso de satisfação. Ela sabia que aquelas roupas não traziam apenas uma renda modesta, mas eram o símbolo do amor e dos esforços dedicados à família.
Na Vila Zhang, o nome da mãe já se tornara uma lenda. Com as próprias mãos, ela sustentava o peso da casa; com seu próprio suor, regava a esperança de sua família. Ela era o orgulho da vila e um modelo para incontáveis pessoas.
Ao cair da noite, quando a mãe se sentava sob a luz bruxuleante da lamparina, ainda com roupas por lavar, seu olhar era firme e doce, como se dissesse: "Enquanto eu tiver estas mãos, continuarei a me dedicar à minha família." Eis a mãe, uma mulher comum, porém extraordinária, escrevendo sua própria lenda com trabalho e perseverança.